Ex-governador Cláudio Castro viajou em avião de empresa ligada a Vorcaro para assistir à final da Libertadores no Peru
11/04/2026
(Foto: Reprodução) Claudio Castro assistiu à partida entre Palmeiras e Flamengo em 2025, na final da Libertadores
Reprodução/GE TV
O ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), viajou ao Peru com a família e convidados para assistir à final da Libertadores, em novembro de 2025, num avião cuja gestão é feita pela empresa Prime que, segundo relatórios da Polícia Federal, faz parte da teia de corrupção de Daniel Vorcaro.
Ao todo havia 12 passageiros. Além de Castro e a primeira dama do Rio, estavam a bordo o advogado Willer Tomaz, o senador Weverton Rocha e famíliares.
Cláudio Castro nega qualquer ligação entre a viagem e o fato de seu governo ter feito o maior aporte de recursos públicos nos CDBs do Banco Master. O RioPrevidência, responsável por gerir e pagar aposentadorias e pensões de servidores públicos, investiu cerca de 1 bilhão no banco de Vorcaro. A operação foi considerada de alto risco e contrariou recomendações técnicas. O presidente da fundação à época dos investimentos, Deivis Marcon Antunes está preso.
Cláudio Castro (PL) viajou em avião de empresa ligada a Vorcaro para assistir à final da Libertadores no Peru.
Fernando Frazão/Agência Brasil
Além da RioPrevidência, a Cedae, empresa de águas e esgotos do Rio de Janeiro, aplicou cerca de R$ 200 milhões no Master, também durante o governo Cláudio Castro.
O vôo do governador com a família ocorreu no dia 28 de novembro do ano passado, véspera da partida entre Flamengo e Palmeiras.
A Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços Ltda , empresa que faz gestão de helicópteros e aeronaves, tem como um dos sócios Arthur Martins de Figueiredo. Vorcaro também teria, segundo as investigações, participação na empresa via fundos de investimentos.
Além da empresa de aviação, Arthur era diretor da fundos da gestora Trustee DTVM. Ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal em agosto de 2025 e teve o celular apreendido. As mensagens encontradas no aparelho deixaram claro para a Polícia Federal que o beneficiário final das manobras contáveis operadas por Arthur era Daniel Vorcaro. Em resumo: para os investigadores, Arthur trabalhava na verdade para Vorcaro, movimentando e ajudando a ocultar sua fortuna, o que as defesas negam.
O governador Cláudio Castro disse não conhecer Arthur. Afrima que viajou a convite de seu amigo e advogado Willer Tomaz. "Nunca ouvi falar desse Arthur. Para mim, o dono do avião é Willer". Castro disse conhecer Vorcaro apenas de congressos internacionais que participava, mas que os dois nunca conversaram sobre RioPrevidência. "Nem com o presidente da RioPrevidencia eu falava sobre o tema. Ele tinha autonomia. Eu só tive com Deives duas vezes". O governador foi quem nomeou Deives, mas diz não lembrar que o indiciou. Fontes do Palácio apontam Rueda, presidente do União Brasil, como autor da indicação. "Posso ter consultado o Rueda, mas não foi ele. Eu tinha 500 indicações", afirmou Castro.
O advogado Willer Tomaz confirmou ser cliente da Prime, empresa que faz a gestão do jato Legacy, mas disse desconhecer tanto Arthur, quanto Vorcaro. Ela lembra que atua em casos defendendo partes contrárias ao banco Master."Aliás, estou vendendo minhas cotas na Sociedade de Propósito Específico, dona da aeronave, por conta dessa exposição da Prime".
O blog procurou o senador Weverton, mas ele não retornou.
A ligação entre o sócio da Prime Táxi Aéreo e Vocaro foi descoberta durante a operação Quasar, que mirava os esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis. Quando estourou o escândalo Master, as provas foram compartilhadas com a equipe da Polícia Federal que investiga o caso. O episódio, portanto, já é de conhecimento do STF. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça.