Entenda como projeto que mapeou o Coliseu de Roma pode ajudar na preservação do centros históricos paulistas

  • 08/02/2026
(Foto: Reprodução)
Estudo da Unicamp com a Universidade de Ferrara, na Itália, mapeou o centro histórico de Amparo (SP) Unicamp/Divulgação Um trabalho desenvolvido pela universidade italiana de Ferrara, que já mapeou grandes obras como o Coliseu de Roma, pode ajudar a traçar métodos para a conservação do Centro Histórico de Amparo (SP). A iniciativa é da Unicamp, que está realizando um estudo piloto com o objetivo de criar novas estratégias para a preservação dos conjuntos urbanos tombados no estado de São Paulo. A pesquisa, feita por meio da parceria entre arquitetos e historiadores brasileiros e italianos, usou equipamentos de ponta para mapear as construções e criar um modelo tridimensional. A expectativa é que, com o processamento dos dados, seja possível proteger essas estruturas em caso de intervenções urbanas e, até mesmo, prever riscos ambientais (entenda abaixo). 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp 🏛️ Entenda: o projeto busca criar uma base de dados integrada, regional, nacional e internacional, com uma metodologia de monitoramento que possa ser replicada em outras cidades históricas, como forma de preservar esses locais. "Nós queremos criar uma base metodológica para uma plataforma de gestão compartilhada. Nós temos dois parceiros institucionais muito importantes para essa pesquisa, que é o Condephaat e o outro é o Departamento de Arquitetura da Universidade de Ferrara", detalhou o professor de história da arquitetura e patrimônio Marcos Tognon. 👉 Nesta reportagem, o g1 detalha qual o objetivo do projeto, por que Amparo foi escolhida no estudo piloto e como a universidade italiana poderá contribuir com a iniciativa. Estudo pioneiro Segundo a Unicamp, a proposta tem caráter pioneiro, ao propor uma metodologia replicável para a atualização e o monitoramento contínuo dos centros históricos tombados, articulando bases de dados regionais, nacionais e internacionais. "Essa abordagem visa não apenas à preservação física dos bens, mas também à criação de instrumentos técnicos de gestão e acompanhamento do patrimônio histórico, permitindo o cruzamento de informações em diferentes escalas e períodos". Por que Amparo? Os pesquisadores explicam que a escolha do município de Amparo como caso piloto se deve à: riqueza arquitetônica e urbanística; variedade de morfologias urbanas; presença de técnicas construtivas que articulam o período colonial e a industrialização paulista. O projeto analisa o centro histórico como modelo representativo dos 15 centros e conjuntos urbanos tombados pelo Condephaat, entre os quais estão Iguape, São Luiz do Paraitinga, Paranapiacaba e Itu, cada um representando diferentes fases e tipologias da formação urbana paulista. Entre 2018 e 2022, o Condephaat analisou 98 pedidos de intervenção no perímetro tombado de Amparo. Para isso, porém, usou como base levantamentos antigos, realizados nas décadas de 1980 e 2000. Os pesquisadores defendem que a defasagem reforça a necessidade de atualizar o inventário. 'Moro em um livro de história': entenda como é viver em uma casa tombada e quais os deveres do proprietário Mapeamento com laser e drone Para a pesquisa, ao longo de setembro de 2025, pesquisadores da Unicamp e da Universidade de Ferrara atuaram em conjunto no registro e na medição de imóveis que compõem o patrimônio histórico de Amparo, sem qualquer interferência na rotina de moradores e comerciantes do centro. 👨‍💻 As equipes utilizaram tecnologias de ponta para a aquisição das volumetrias dos edifícios e do espaço urbano, integrando quatro tipos principais de levantamento: escaneamento a laser; fotogrametria; sobrevoos com drone; e levantamentos topográficos com estação total. Segundo Tognon, os equipamentos fornecem diferentes graus de precisão e, ao mesmo tempo, todas as informações são georreferenciadas. Isso permite coincidir os dados e chegar a um nível mínimo de erro no levantamento das formas e dos materiais. Modelo 3D Com a aplicação das técnicas, os especialistas poderão criar modelos tridimensionais de alta precisão, que servirão de base para o registro, diagnóstico e monitoramento das intervenções futuras. A pesquisa abrange também as dimensões materiais e paisagísticas do centro histórico de Amparo, o que inclui: arquitetura; tipologias construtivas; ornamentações; cromatipologias; desenho urbano; infraestrutura; mobilidade; recursos naturais; jardins; e riscos ambientais. EPTV Nas Férias: confira tour histórico em Amparo "A ideia é que seja uma gestão visual do Centro Histórico. E qual é a vantagem da digitalização? É que você tem a materialidade, a cor, a posição de tudo o que existe ali no Centro Histórico. E esse projeto também vai ajudar o quê? A fazermos ações de preservação contra, por exemplo, questões climáticas", disse o professor. "O Centro Histórico de Amparo está perto do Rio Camanducaia, que pode ter eventualmente enchentes. Tem também o problema do trânsito, da mobilidade das pessoas. Então, a gente está fazendo um trabalho que, embora o centro dele, o coração dele, seja a parte antiga da cidade, ele vai ajudar também na qualidade urbana da cidade". O recorte territorial do estudo compreende a área entre o Largo da Catedral de Nossa Senhora do Amparo e o Largo do Rosário, incluindo as ruas Humberto Bereta, General Câmara, Duque de Caxias e Dr. Oswaldo Cruz, áreas representativas pela diversidade de tipologias e pela monumentalidade de seus conjuntos edificados. O que o Coliseu de Roma tem a ver com isso? As equipes italianas envolvidas no projeto integram o Laboratório Development of Integrated Automatic Procedures for Restoration of Monuments (DIAPReM), vinculado ao Departamento de Arquitetura da Universidade de Ferrara. Desde 1997, o DIAPReM desenvolve procedimentos automatizados e integrados para o levantamento, modelagem e representação tridimensional de complexos arquitetônicos e monumentais, atuando em projetos de preservação e restauro na Itália e em diversos países. Segundo o professor da Unicamp, o laboratório é referência internacional na aplicação de tecnologias digitais ao patrimônio cultural, tendo colaborado com o escaneamento 3D e as obras de restauração de construções importantes, inclusive no Brasil. Entre os exemplos, estão Museu do Ipiranga, em São Paulo; Museu de Artes de São Paulo (MASP); e o Coliseu de Roma. "Eles já fizeram trabalhos muito importantes no Brasil. Foram eles que ajudaram a digitalizar e a entender o Museu do Ipiranga para a USP, fizeram o MASP e, lá na Itália, fizeram o Coliseu. Eles digitalizaram, criaram um modelo 3D detalhadíssimo do Coliseu, onde se consegue contar quantos pregos tem, de tão preciso que foi esse levantamento que eles fizeram". A expectativa é que a colaboração com a Universidade de Ferrara ajude a ampliar o alcance científico e tecnológico do projeto. Isso porque a equipe italiana é reconhecida por sua atuação em documentação digital, modelagem tridimensional e conservação de patrimônio histórico. No estudo realizado pela Unicamp, os dados coletados por meio do trabalho de campo foram processados e serão compartilhados entre as duas instituições. A partir disso, será criado um banco de dados colaborativo, capaz de dialogar com sistemas de preservação nacionais e estrangeiros. Próximas etapas O cronograma de atividades, dividido entre Unicamp, Universidade de Ferrara e instituições paulistas, começou em setembro de 2025 e segue até agosto de 2026, com etapas que vão do levantamento em campo à apresentação pública dos resultados. De janeiro a maio de 2026, serão desenvolvidos os modelos metodológicos e a edição dos resultados digitais, com apresentação prevista no Salone del Restauro 2026, em Ferrara; Entre junho e julho de 2026, ocorrerão os testes e a elaboração dos manuais de uso, seguidos da apresentação pública dos resultados pelo Condephaat e de uma exposição didática em Amparo e São Paulo. "A gente deve fazer uma exposição desse projeto e apresentação pública dos resultados e vai ser, se der tudo certo vai ser um modelo que o governo vai utilizar para aplicar depois nos outros 15 centros históricos tombados de São Paulo", conclui. Intitulada “Estudo piloto do centro histórico de Amparo como exemplar dos centros históricos paulistas tombados e os desafios da preservação”, a pesquisa é coordenada pelos professores Marcos Tognon, do Departamento de História do IFCH, e Haroldo Gallo, do Departamento de Artes Plásticas do Instituto de Artes. O projeto conta ainda com a colaboração dos professores Marcello Balzani, Luca Rossato e Fabiana Racco, da Universidade de Ferrara (Itália), e tem financiamento da Fapesp, além do apoio do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região . Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/02/08/entenda-como-projeto-que-mapeou-o-coliseu-de-roma-pode-ajudar-na-preservacao-do-centros-historicos-paulistas.ghtml


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